1 – Exuberância irracional

Exato, o primeiro livro é de Bob Shiller – professor de Yale e uma das grandes referências na literatura de bolhas financeiras.

Shiller lançou um livro legal em 2012, sobre finanças e sociedade, mas seu grande clássico ainda é o Irrational Exuberance, publicado em 2000 e atualizado depois da crise de 2008.

Temos que ler os clássicos.

O título empresta a expressão usada por Alan Greenspan para descrever um contexto de exaltação da irracionalidade nos mercados – aliás, muito aplicado nas análises contemporâneas de nosso Projeto de Aposentadoria, que prioriza investimentos defensivos.

 

2 – Desta vez é diferente

Se Shiller não for o bastante para convencê-lo das loucuras do mercado (e de como ganhar dinheiro com crises), adicione outra obra-prima à cabeceira da sua cama.

This Time is Different, de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, conta a história de oito séculos de tragédias econômicas ocorridas em 66 países.

No próximo colapso, tenderemos a imaginar que enfim mudamos para Pasárgada, o reino das maravilhas (é mais ou menos o que está acontecendo agora…). Mas continuamos morando no Planeta Terra, onde os almoços nunca são de graça.

 

3 – Invista com bom senso

Depois dessas duas leituras reveladoras, você corre o risco de errar a interpretação e cair num determinismo catastrófico, capaz de arruinar seu feriado.

Para escapar dessa bad trip, espelhe-se na experiência das pessoas que ficaram milionárias não apenas “a despeito” das crises, mas sobretudo “por causa” das crises.

Nesse sentido, o Little Book of Common Sense Investing é uma benção ao investidor que luta contra a depressão para ficar rico.

Usando argumentos simples, baseados no bom senso, John Bogle mostra ao leitor que dá pra ganhar MUITA grana na Bolsa de Valores, desde que você não ceda aos caprichos da indústria financeira.

Amigo pessoal de Warren Buffett, o autor é um grande advogado do investimento direto em ações ou ETFs. Qualquer semelhança entre as ideias de Bogle e nossa série de Barganhas não há de ser mera coincidência.

 

4 – Ações para o longo prazo

Mais animado pelas direções esclarecedoras de John Bogle? Aproveite o fôlego literário e mergulhe na bíblia de Jeremy Siegel (que nada tem a ver com o Steven Siegel).

Sem prejuízo aos demais, confesso que Stocks for the Long Run é o meu preferido da lista, provavelmente por motivos românticos.

Quando eu era ainda um estagiário de análise, foi a primeira coisa que li e que me fez enxergar, sem sombra de dúvida, que o período perfeito para investir em ações é contabilizado em décadas, não em horas ou dias.

Abri o livro de novo oito anos depois e gostei ainda mais.

Sugiro especial atenção ao capítulo 12, com importantes insights sobre a função dos dividendos enquanto superlativos da performance de mercado.

 

5 – Iludidos pelo acaso

Dentro da trilogia escrita por Nassim Taleb, Fooled by Randomness é o primeiro dos livros, hoje subvalorizado face aos outros dois mais famosos (Black Swan e Antifragile).

Faça justiça ao primogênito e comece por aí. Até porque, penso eu, trata-se de um texto com mais aplicações financeiras quando comparado ao de seus irmãos filosóficos.

Foi também onde Taleb se definiu enquanto pensador cético: ““My principle activity is to tease those who take themselves and the quality of their knowledge too seriously” – motto seguido religiosamente por Felipe Miranda em sua eterna briga contra o CDI.