De repente o mundo se mobiliza em prol da Educação Financeira. Todos por um mundo melhor, mais próspero. Não, não é exagero! Este ano, pela primeira vez, a Semana Nacional de Educação Financeira, que acontecerá de 9 a 14 de março, organizada pelo CONEF, Comitê Nacional de Educação Financeira, será simultânea à Global Money Week, coordenada pela Child Youth Finance International – CYFI, ONG sediada na Holanda, que envolve e motiva parceiros em todos os continentes em prol da educação financeira infanto-juvenil.

Tomando por base as ações já confirmadas para 2015 e resultados dos dois eventos em 2014, teremos no Brasil centenas de atividades, realizadas por dezenas de entidades, nas grandes capitais e em pequenos rincões, de Norte a Sul do país. Esse conjunto de ações se somará às que serão realizadas simultaneamente em mais de 115 países, no âmbito da GMW, possivelmente alcançando a ambiciosa meta de 10 milhões de crianças ao redor do mundo.

Não é café pequeno. Mas ainda é pouco para o que precisa ser feito. Educação financeira, apesar do que muita gente ainda pensa, não é baseada em dinheiro. Não visa reduzir o consumo ou aumentar riquezas. Pelo menos não a verdadeira educação financeira, aquela que coloca o ser humano e a qualidade de vida como centro de todas as ações.

O dinheiro é apenas um instrumento que passa pelas mãos das pessoas. A verdadeira educação financeira não passa, fica. Quem aprende a fazer bom uso dos recursos, a planejar, a consumir de maneira responsável, a viver o presente sem se esquecer do futuro, a fazer escolhas conscientes, a pensar, agir, produzir e consumir de modo sustentável – pela ótica do planeta e do próprio bolso -, a prevenir-se, a aproveitar períodos de fartura, para criar reservas que ajudem a enfrentar os momentos de escassez; quem descobre que valores não têm preço e que riquezas não são a base da felicidade; quem percebe que os bens públicos devem ser tão bem cuidados quanto os particulares; quem valoriza o que tem e despreza o desperdício, essas pessoas já conquistaram a base do que a educação financeira se propõe a oferecer: condições de prosperar e de conquistar qualidade de vida cada vez melhor.

O dinheiro passa pelas mãos de todos, em maior ou menor quantidade, com maior ou menor frequência. Quem tem educação financeira aproveita melhor as oportunidades. Faz o dinheiro render, seja gastando melhor, poupando mais ou investindo bem.

Educação financeira deve ser semeada, compartilhada, incentivada. Quanto mais prosperidade em volta, mais oportunidades para todos. Como ensina a sabedoria popular, melhor do que brigar por migalhas, é ajudar a fazer o bolo crescer.

Tomara que essas iniciativas vinguem, criem raízes, produzam frutos e sementes. Se o restante da economia, ou as demais empresas e pessoas não ajudarem, uma pena! Nós estamos fazendo a nossa parte. E não somos poucos!

 

Álvaro Modernell

Especialista em Educação Financeira

Sócio-Fundador da Mais Ativos