A história da nossa assistida com o Sebrae/PA vem desde o ano de 1979. Na verdade, da época do Cebrae com “C”, período em que a paraense Ângela Maria agarrou a oportunidade de um estágio. Já como contratada da casa, Ângela descobriu o amor pela causa da micro e pequena empresa.

Assistida do Plano SEBRAEPREV desde 2017, ela participou da campanha do Dia do Aposentado com uma importante história de sua vida: a criação do Instituto AVC da Amazônia. O IAVCA é uma associação de direito privado, beneficente, com fins não econômicos, e que tem como objetivo prestar serviços de apoio às vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio (IAM), e seus familiares. Além disso, o mundo empreendedor continua fazendo parte da sua vida por causa do negócio comando pelo seu filho, o boteco japonês Kajin Izakaya.

Ângela representará os assistidos do Plano SEBRAPREV participando da homenagem em comemoração ao Dia do Aposentado, por meio do evento promovido todos os anos pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar – ABRAPP, em São Paulo. A tradicional cerimônia acontecerá no dia 23 de janeiro.

A verdade é que a edição da campanha deste ano só recebeu histórias inspiradoras, de sucesso e que mereciam ser contadas. O SEBRAE PREVIDÊNCIA agradece a cada um que dedicou tempo ao enviar suas histórias.

Acompanhe um trecho da história enviada pela Ângela Maria:

No dia 18 de maio de 2017, eu assinei o documento de adesão ao Programa de Demissão Voluntária – PDI. Naquele momento estava, aparentemente, sacramentada a minha condição de “Aposentada”. Porém, uma pergunta ainda persistia: – E agora?

CONSTRUINDO UMA NOVA HISTÓRIA

Sem dúvida o primeiro choque de realidade me foi dado pelo despertador do celular. De repente você descobre que ele não tem tanta utilidade, já que ser aposentado para algumas pessoas pressupõe ter 24 horas do dia à disposição do ócio. Era exatamente aí que estava localizado o meu problema. Eu não conseguia me identificar em tal perfil, em que pese ter em mãos um diagnóstico que sugerisse ser portadora de uma cardiopatia. Entretanto, não bastava eu me sentir assim, eu precisava provar que eu ainda era capaz de produzir, em primeiro lugar, a mim mesma. Uma viagem ao Rio de Janeiro, sozinha (ou melhor na companhia de Deus), me fez passar a ter a mais pura convicção de que, tanto quanto cuidar do corpo, é importante cuidar do espírito. E ter a capacidade de parar e fazer um balanço de tudo o que viveu. Relembrar não apenas os momentos bons como também àqueles dolorosos. É como se, em uma grande caixa eu depositasse todos os presentes que a vida até então me havia dado. Não somente àqueles que me fizeram abrir um sorriso no rosto, como também àqueles que nem tanto, mas que nem por isso deixaram de serem “presentes”, porque foram, sem dúvida, os que mais me fizeram crescer. Concluída o que eu chamei de “Operação Descarte” e com a minha fé renovada, entreguei nas mãos de Deus, para que ele, caso eu fosse merecedora, me devolvesse apenas os mimos que eu fosse capaz de dividir.

Um lugar lindo, cercado de muita natureza, foi o cenário escolhido por “ELE” para iniciar o tão esperado processo de devolução. Durante um almoço e através de um amigo, eu tive o privilégio de conhecer um médico, dr. em Neurologia, com especialização em Neuroradiologia Intervencionista. Em poucos minutos, já estávamos os três compartilhando nossas experiências. De um lado, dois portadores de doença cardiovascular e com um histórico familiar e de outro, um grande estudioso que tem como uma de suas prioridades, a pesquisa do Acidente Vascular Cerebral – AVC, considerada uma das principais causas de morte no Brasil e a principal causa de incapacidade em adultos em todo o mundo. A partir daquele momento, eu tomei consciência da importância não apenas no que diz respeito à prevenção e o quanto é fundamental o reconhecimento dos primeiros sintomas, como também o quanto é imprescindível conhecer melhor essa doença, através da capacitação e da pesquisa. Quanto a motivação para transformar aquele projeto em ação efetiva, foi lembrar a perda para esse inimigo, daquela pessoa que sempre foi a minha grande referência. A minha mãe. Ali acabava de nascer o Instituto AVC da Amazônia – IAVCA uma associação de direito privado, beneficente, com fins não econômicos, e que tem como objetivo prestar serviços de apoio às vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio (IAM), e seus familiares. Atualmente a nossa entidade conta com o apoio de vários profissionais, todos dedicados à pesquisa do AVC na Região Norte e a cada dia surgem novas parcerias público-privadas, assim como cresce na mesma proporção, as nossas ações de cunho social, graças à adesão de novos voluntários. A fundação do IAVCA passou a significar o meu retorno à realização de ações voltadas para o Terceiro Setor, cuja experiência por mim adquirida na década de 2000, muito tem colaborado na gestão da entidade, da qual muito me orgulho de hoje ocupar a Presidência.

O segundo presente, me seria entregue por uma pessoa muito próxima. O meu filho. Hoje com vinte e sete anos, Publicitário, até então atuando na área de comunicação, para a minha surpresa (nem tão surpresa assim pois eu sabia que era mais um fruto da minha conversa com “ELE”) tomou a decisão de abrir uma empresa no ramo da gastronomia. Ao ser por mim questionado, que tipo de atividade seria, veio a resposta: – Mãe, seria um novo modelo de negócio, ainda não explorado em Belém, ou seja, um Izakaya (boteco japonês). Impossível não voltar no tempo, quando, durante a década de 90, na comunidade japonesa eu me sentia em casa, quando muito do que aprendi foi graças ao trabalho que eu havia desenvolvido, enquanto funcionária do SEBRAE. Assim sendo, surgia mais um pequeno negócio em Belém, o Kajin Izakaya, inicialmente na condição de MEI, hoje, gerando seis postos de trabalho. Sem dúvida foi jeito encontrado por “ELE” para não me distanciar daquilo que eu aprendi a acreditar durante quase quatro décadas de muito trabalho e dedicação, que é a força do empreendedorismo, a importância da micro e pequena empresa para o desenvolvimento econômico do país.

A partir deste ponto e já nos meus 64 anos, não darei por encerrada a minha história, apenas considerarei uma breve pausa, na esperança que muitos capítulos ainda possam ser escritos. Apenas com uma certeza, a cada dia estarei tentando colocar em prática tudo o que eu aprendi durante aproximadamente quatro décadas nessa que eu considero a minha escola, o “SEBRAE”.

Ângela Maria Soares Silva