O peso que cada fundação confere a cada um dos quesitos de seleção e avaliação é um diferencial importante dos modelos customizados. 

A necessidade de acelerar o processo de diversificação das classes de ativos em que os recursos estão investidos, somada à demanda por maior aderência dos mandatos conferidos aos gestores externos, tem contribuído para a elaboração de modelos próprios de seleção de gestores por parte dos fundos de pensão brasileiros com a adoção de parâmetros conhecidos no mercado, porém customizados de acordo com as exigências e características de cada entidade. Em maior ou menor grau, algumas delas procuram agregar particularidades  ao processo de seleção de modo a obter diferenciais de performance e controle de riscos.

Os critérios básicos para escolha dos gestores são similares entre si. Englobam quesitos como a qualidade e tradição da gestão oferecida, histórico de performance, reputação da empresa gestora, consistência de suas estratégias de investimento, qualidade da equipe incluindo histórico de trabalho conjunto e sua estabilidade como um time naquele determinado segmento, entre outros aspectos.

A customização envolve critérios adicionais, pesos e notas específicos para cada item e, principalmente, o julgamento da fundação a respeito desses quesitos.

Para o Sebraeprev, fundo de pensão ligado ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que foi constituído em 2004 e conta atualmente com 6.565 participantes, dos quais apenas 93 assistidos, 30 patrocinadores e patrimônio de R$ 385 milhões, o desenvolvimento de um modelo próprio foi decorrência da necessidade de ter critérios objetivos para definir sua alocação de recursos em renda fica e renda variável, totalmente terceirizada. Implementado em julho de 2012, esse modelo traduz a necessidade da política de investimento e do nível de tolerância ao risco da entidade, como uma reavaliação dos gestores no curto prazo (mensal, trimestral e semestral) que serve de parâmetro para o direcionamento de novos recursos. Mensalmente, quem apresentar os melhores resultados na média de cada trimestre receberá os novos recursos. “O gestor não escolhido para receber esses recursos saberá qual foi o retorno oferecido pelos outros dois, o que lhe sinaliza a rentabilidade esperada pela fundação”, explica o diretor-presidente do Sebraeprev, Edjair de Siqueira Alves. Os gestores que apresentarem desempenho insatisfatório no semestre poderão perder uma fatia de 10% da alocação, que será direcionado ao primeiro colocado. Na reavaliação feita a cada dois anos, aqueles que não tiverem apresentado performance considerada satisfatória durante dois semestres consecutivos ou mais poderão ser substituídos.

Além de fazer os controles dos riscos conforme determina a regulação (artigos 9º a 13 da Resolução CMN nº 3.792, de 24 de setembro de 2009, e de manter os serviços de uma empresa terceirizada para monitorar os riscos de investimentos e os controles internos, o Sebraeprev concluiu que era necessário também criar um método próprio para acompanhar de perto a performance dos gestores de modo que esse desempenho servisse de base para a tomada de decisão de alocação dos novos recursos. “Como um fundo de pensão novo, temos apenas 93 participantes assistidos, então a maior parte da arrecadação é utilizada para investimento, o que deixa evidente a necessidade de seguir parâmetros claros e eficientes não só para selecionar gestores, mas para avaliar seu desempenho”, observa Alves. A seleção inicial dos gestores considera, entre outros critérios, o volume de recursos sob administração da empresa , a estabilidade de suas equipes operacionais e a reputação da empresa, além de sua tradição e trajetória em determinados segmentos.

Atualmente, a fundação mantém sua carteira principal sob gestão de três instituições, além de uma carteira de renda variável ativa que foi criada em meados de 2012 e que também passou por um processo de seleção que indicou seis gestores especializados. Neste ano, acaba de ser criada uma carteira de fundos imobiliários – um de renda e outro na modalidade fundo de fundos – para a qual foram selecionados quatro gestores. Nessas duas carteiras mais recentes, o processo de reavaliação mensal, trimestral e semestral para eventual redirecionamento de recursos conforme os resultados ainda não foi implementado, mas o será em breve, assim que elas estiverem mais maduras.

A avaliação dos três gestores da carteira principal segue a seguinte metodologia: mensalmente é atribuída uma pontuação a cada gestor, que leva em conta a rentabilidade no mês, a rentabilidade média no trimestre e a do retorno médio no semestre. Seguindo uma matriz específica, é montado o ranking do período para cada um deles. Os pontos obtidos são somados e comparados. Os novos recursos disponíveis para alocação naquele mês serão direcionados ao gestor que apresentar a maior pontuação média.

Semestralmente, nos meses de janeiro e julho, é feita outra reavaliação e, no caso de um dos gestores ter ficado na terceira colocação durante três ou mais meses, deixando de atingir resultados compatíveis com o benchmark nesse período, sofrerá redução de 10% do patrimônio da carteira/fundo, recursos que serão direcionados para o primeiro colocado no período. A cada dois anos, no caso de algum gestor ficar na terceira colocação em dois ou mais semestres e apresentar resultado insatisfatório, será encaminhada ao Conselho Deliberativo uma recomendação para a sua substituição.

A metodologia utilizada para essa avaliação periódica leva em conta o número de pontos e também um Índice de Êxito, que mede a capacidade do gestor apresentar resultados superiores ao benchmark no longo prazo. O cálculo de pontos utilizado para ranquear o gestor apura mensalmente se ele superou o benchmark no mês, no acumulado de 12 meses e no acumulado de 24 meses. Isso resulta num ranking de cada gestor em cada um desses períodos. Com esse modelo, diz Alves, é possível obter um ranqueamento racional e objetivo dos gestores em relação ao cumprimento de metas, privilegiando os objetivos de médio e longo prazos. Os mandatos para esse grupo de gestores são idênticos e o benchmark, aquele definido na política de investimentos da fundação. Uma vez que cada um deles tem liberdade para montar suas estratégias de alocação, com ênfase nos resultados de médio e longo prazos, há pesos diferentes para os retornos de curto prazo (um mês), médio prazo (12 meses), e longo prazo 24 meses).

Fonte: Revista Fundos de Pensão